A LAVAGEM DE MÃOS QUE SALVAM VIDAS

Ignaz Semmelweis, médico húngaro e supervisor de duas grandes maternidades na época de 1840, observou que a taxa de mortalidade em uma das instituições de sua administração era maior. A primeira era uma maternidade escola, bem renomada e com grande disponibilidade de verbas, já a segunda, era destinada para mulheres mais carentes, não tendo repasse ou assistência médica – a qual era ofertada através de enfermeiras-parteiras. Semmelweis observou que a taxa de mortalidade por febre puerperal ou pós-parto em uma delas era avassaladora, enquanto na outra não – a questão era, qual delas? E para sua surpresa, a maternidade escola era a que possuía o maior número de mortalidade – mas por quê?


O médico, após muito observar e estudar, atribuiu as mortes ao que nomeou de “partículas cadavéricas” – as quais estariam aderidas às mãos de médicos e estudantes após a realização de autópsias, gerando assim a contaminação das pacientes. Sendo assim, ele orientou que os profissionais começassem a lavar as mãos e instrumentos cirúrgicos com solução clorada após procedimentos, a fim de que tal ato evitasse a manifestação da febre puerperal.


Semmelweis enfrentou muitas oposições ao decorrer do tempo por conta de suas teorias, até que um acidente com um de seus amigos médicos o ajudou a entender melhor o que estava acontecendo – Jacob Kolletschka se feriu com o bisturi de um de seus alunos e iniciou com os mesmos sintomas das parturientes antes de morrer. Realizando a autópsia do amigo, Semmelweis observou que os órgãos apresentam os mesmos aspectos que os das pacientes vítimas da febre puerperal, deduzindo assim que a sepse e a febre puerperal apresentavam a mesma origem – as mãos de médicos e estudantes, que, contaminadas por dissecações, conduziram as “partículas cadavéricas” para os órgãos genitais das mulheres em trabalho de parto. Tal ato explicaria o motivo pelo qual a maternidade conduzida por parteiras apresentou menor taxa de mortalidade; elas não realizavam, nem participavam das autópsias.


Semmelweis conduziu, através de tais acontecimentos e descobertas, o primeiro estudo experimental relacionado à falta de higienização das mãos e instrumentos à febre puerperal. A ordem de lavagem das mãos e higienização dos equipamentos cirúrgicos com cal clorato trouxe, em poucos meses, queda drástica nas taxas de mortalidade – de 12,24% a 3,04% no final do primeiro ano, e a 1,27% no término do segundo.




As observações e estudos de Ignaz Semmelweis fizeram história e revolucionaram a prática médica. Hoje, mesmo tendo grande revolução na técnica de lavagem de mãos, vemos o quão importante e nobre esta ação é na medicina e na vida cotidiana. Lave as mãos. Salve vidas!


Texto escrito por Vitória Vital da Silva Rocha.




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