A negação da realidade


Vivemos em um período em que a informação chega muito rápido a um grande número de pessoas, as redes sociais disseminam opiniões, pesquisas e decisões em uma alta velocidade, o que a OMS durante a pandemia chamou de “infodemia”. Ao mesmo tempo que isso é bom, torna-se perigoso, uma vez que surgem diferentes vertentes apresentando posicionamentos, inclusive o negacionismo. Movimento esse que existe há décadas, negando diferentes pautas como a esfericidade da terra, a existência do vírus HIV, o racismo, o holocausto e agora a pandemia e a ciência ao redor dela.


Mas, o que é negacionismo?

Negacionismo é a negação de uma realidade com o objetivo de escapar de uma verdade desconfortável. Para a ciência, o negacionismo é uma “grande pedra no sapato”, que surge para questionar conceitos básicos e inquestionáveis, além de contrariar fatos devidamente comprovados. E, dessa forma, a teoria negacionista se dissemina e coloca à prova a ciência, sendo capaz de diminuir sua credibilidade diante da sociedade. Tal tipo de pensamento foi utilizado quando foi comprovada a relação entre o câncer e o tabaco e a indústria questionou isso (1950), quando indústrias de carvão e petróleo negaram o aquecimento global e em diversas outras vezes na história.

A negação, definida por Freud como a fuga de tudo que desestabiliza o ego do sujeito, sustenta a teoria. Portanto, é comum que momentos de instabilidade na sociedade possam gerar conflitos de ideias e não está sendo diferente na pandemia, onde diversos grupos negam a existência do vírus, a eficácia das vacinas, duvidam da sua propagação e gravidade e insistem em teorias sem embasamento científico, que por mais que tentem comprovar esbarram em inconsistências do seu próprio desenvolvimento. E assim, são geradas dúvidas e o objetivo do negacionismo se concretiza.

Confirma-se a desconfiança na ciência por meio de um estudo de 2020, publicado pelo centro de pesquisas Pew Research Center, o qual concluiu que o Brasil está entre os países que menos acredita em cientistas, com 36% dos entrevistados confiando pouco ou nada neles e somente 23% acreditam muito.

O maior risco oferecido por esse posicionamento é a piora da pandemia por dificultar o acesso a informações concretas, confiáveis e verdadeiras e influenciar decisões com base em fontes não oficiais. O que era apenas uma oposição passa a ser vista como uma discussão ideológica e política, o que atrai ainda mais adeptos ao movimento.

Compreendendo que as diferentes ideias são frutos da democratização do acesso à informação, a resolução para a problemática não está na sua censura, mas sim na orientação da população para selecionar suas referências de forma criteriosa, além do compartilhamento somente de posicionamentos com teor científico e confiável. Cabe, portanto, a cada um que acredita na ciência e em suas conclusões, disseminar conhecimento seguro já que as redes sociais tornaram-se determinantes para que um princípio tenha seu reconhecimento.



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