COVID-19: EMPATIA E ALTERIDADE


Há um ano estamos vivendo um pesadelo, estamos lidando e enfrentando uma pandemia que vem gerando medos e angústias. Ao longo de todo esse tempo, pessoas morreram pela COVID-19 ou por complicações por ela ocasionadas. Famílias perderam entes queridos - são avós, mães, filhos, irmãos e amigos em uma lista que, para alguns, sem o mínimo de empatia, tornam-se apenas números.


Em tempos como este, devemos exercer a empatia, a alteridade, o respeito pela saúde e vida humana. Quando falamos em respeito à saúde, falamos do respeito à nossa própria saúde e a do próximo. Falamos de respeitar o isolamento social, ficar em casa quando necessário e se isso não for possível, que as medidas de prevenção sejam colocadas em prática: uso de máscaras corretamente, higiene das mãos, objetos e superfícies, uso de álcool em gel 70% e distanciamento adequado.


Falamos hoje em nome da sociedade, da humanidade, estamos falando em nome dos estudantes de medicina e de outras graduações também. A conscientização e respeito a esse momento tão delicado é essencial para que possamos passar por isso com um pouco menos de dor, angústias e luto. Devemos nos colocar em nosso lugar de fala, devemos fazer a nossa parte, dar o exemplo, respeitar e zelar pela saúde de todos.


Compartilho com vocês um poema escrito para minha avó e a outras vítimas da COVID-19. Elas nunca foram números, foram vidas.


Ela +

Eu não pude me despedir dela

Não pude dar o último abraço

Falar o último eu te amo

Ou sentar no seu colo


Eu não pude passar as mãos no seu cabelo macio

Não pude lembrar com ela histórias da minha infância

Não pude compartilhar minha trajetória até aqui

Não pude entregar a foto de jaleco para ela colocar na estante da sala


Eu não pude me despedir da minha avó

Não pude


Maria Gadú tem a dona Cila

Eu, a dona Chica

Lá de cima ela me olha, tenho fé

Orgulhosa de seus feitos, de seus netos


Por mais que eu queira hoje chorar

Posso também sorrir ao lembrar dela

Tudo o que sou e quem irei me tornar

Provém dela


Ela não é apenas um número

É a mãe de filhos e avó de netos e uma neta

Ela é memorável, querida

Ela é a mineira mais doce que já conheci


A casa amarela na rua Riacho Fundo agora está sem ela

Os filhos estão sem ela

Os netos estão sem ela

Eu estou sem ela


...


No tocante do meu coração

Eu sinto dor

Sinto saudade

Sinto a perda


Uma vida, várias vidas

Todos os dias vidas se vão

Todos os dias alguém luta pela sua vida

Todos os dias alguém é sedado sem saber se irá voltar


O que é passado em números

Possuem nome

Possuem histórias

Possuem sonhos


Dona Maria também lutou muito

Pude ver o medo nos olhos dela

O pedido de socorro ao saturar 70%

A correria para entuba-lá e salva-lá


Estávamos lutando contra algo microscopicamente pequeno

Mas bem maior que nós

Bem mais forte que nós

Mais forte que a dona Maria


...


Não espere sentir essa dor

Não espere perder alguém

Não se pode trazer alguém de volta do mundo dos mortos

Não se pode


O que se pode é ser humano

É ter empatia

É sentir respeito pelas vidas que se foram

E ainda mais respeito pelas que ainda estão aqui


.


Brasil, 24 de março de 2021 - mais de 300 mil mortes por COVID-19.

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