Depressão Pós-Parto

Atualizado: 16 de set. de 2020

A depressão pós-parto é um transtorno psiquiátrico, que atinge cerca de 10 a 20% das mulheres nos seis primeiros meses até doze meses após o parto. Afeta de forma negativa a vida da portadora, da criança e as relações familiares. Esse transtorno deve ser diferenciado da disforia puerperal/melancolia da maternidade (maternity blues), que é um estado de hiperestesia emocional encontrado nos primeiros dias de pós-parto. Nesse caso, as mães se apresentam facilmente tristes, irritadas, inseguras, ansiosas, com relatos de sobrecargas e sentimento de impotência para lidar com as circunstâncias ambientais desse novo cenário. Apresentam ainda, choro fácil, labilidade afetiva e hipersensibilidade. Os sintomas tendem a desaparecer após a segunda semana pós-parto. É importante destacar que a disforia puerperal não causa prejuízos aos cuidados do bebê e na formação do vínculo materno.

Quando nos deparamos com uma mulher em depressão perinatal é possível observar sintomas como sentimento de tristeza, desinteresse, dificuldade de concentração, maior intensidade de ansiedade, angústia, sentimento de culpa, alteração no sono, flutuações de humor, além de sintomas neurovegetativos (palpitações, transpiração, ondas de calor ou frio, tremores). Existem fatores de risco que devem ser considerados para o surgimento da depressão pós-parto, como por exemplo, antecedentes psiquiátricos da mulher, seu estado civil, baixas condições socioeconômicas, episódios depressivos anteriores, alterações hormonais e fatores obstétricos (complicações e o parto). Além disso, encontramos diversos fatores de proteção em mulheres que apresentam apoio de outra, as que tiveram diagnóstico precoce da depressão, suporte social, boa relação conjugal, suporte emocional do companheiro, sistema de apoio familiar, intervenção multidisciplinar e estabilidade socioeconômica.

Para diagnosticar uma paciente com depressão pós-parto, é preciso lançar mão de algumas escalas de autoavaliação, a mais conhecida é a Escala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo. Essa escala pode ser tanto aplicado na gravidez como no puerpério em mulheres que apresentam alta probabilidade para o transtorno. É composta por 10 itens, os quais recebem pontuação de 0-3 de acordo com a intensidade do sintoma depressivo. Pacientes deprimidas são aquelas que apresentam pontuação igual ou superior a 12, sendo a pontuação máxima até 30. Vale lembrar os diagnósticos diferenciais dessa patologia como o transtorno de ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno do estresse pós-traumático.

Uma das consequências mais importantes quando nos deparamos com uma mãe em estado de depressão pós-parto é como a qualidade de vida e desenvolvimento da criança é afetada, em especial, o lado afetivo positivo que é tão importante para o desenvolvimento normal.

É fundamental que a depressão pós-parto seja identificada e tratada precocemente, para isso, é proposta uma abordagem multidisciplinar. Essas mulheres devem passar por psicoterapia, em especial a cognitivo-comportamental ou interpessoal, medidas de higiene do sono e farmacoterapia com antidepressivos, o qual deve ser usado com cautela.


Texto por: Isabelle Besson


Referências:

- Psiquiatría clínica autores CANTILINO Amaury; MONTEIRO Denis Carreiro

- Artigos:

https://www.scielo.br/pdf/epsic/v8n3/19962.pdf - O impacto da depressão pós-parto para a interação mãe-bebê 1 Daniela Delias de Sousa Schwengber Cesar Augusto Piccinini – 2003

https://www.scielosp.org/article/csp/2010.v26n4/738-746/ - Relação entre depressão pós-parto e disponibilidade emocional materna Vera Regina J. R. M. FonsecaI, II; Gabriela Andrade da SilvaI; Emma Otta.


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