Escolha da profissão médica

Como sabemos, ao refletirmos sobre nosso futuro e imaginarmos o que gostaríamos de exercer profissionalmente falando, podem surgir momentos de muita angústia para uns, ou momentos de certeza para outros, que já tem definido há tempos sua escolha. Voltando o olhar para a medicina, podemos nos questionar: o que leva um indivíduo a se interessar por uma profissão com tamanha responsabilidade para com outro ser humano, em que muitas vezes contém a vida, literalmente, em suas mãos? Ou mesmo, o que sustenta o estudante de medicina durante um longo trajeto para se tornar médico?

Para compreendermos com mais abrangência essa temática, conversamos com a médica pediatra Juliana Barrueco, que também é tutora do Centro Universitário Integrado, para sanar alguns questionamentos sobre o caminho percorrido por um profissional da área até a grande conquista do título para exercer a medicina, mais conhecido como CRM!


1. Quais foram suas motivações para a escolha da área médica?


-A maior motivação para escolher essa área, para mim, foi poder ajudar o outro. Sempre prezei muito por isso e, desde de criança, eu falava que gostaria de ser médica, juntamente com um primo que também queria ser médico, e hoje ele também é um profissional da área. Então, sempre foi um desejo meu, e eu achava que dessa maneira eu conseguiria me doar e fazer mais pelo outro.


2. Tinha outro curso em mente? Se sim, o que te levou a escolher a medicina?


-Meu pai é farmacêutico e tem uma farmácia, e eu pensei em fazer esse curso. Como sempre morei em Maringá, fui realizar o vestibular de treino para medicina na UEM e escolhi prestar para farmácia. Ao conferir minha pontuação e ver que eu iria passar, conversei com a minha mãe e falei que eu realmente queria fazer medicina, então desisti desse vestibular, pois acabei percebendo que a medicina era minha vontade.


3. Como soube que a medicina era o curso certo para você?


-Hoje eu tenho plena convicção e não me vejo fazendo outra coisa, mais em específico na pediatria, porque sou completamente realizada com o que eu faço, gosto muito de ser médica! Então, como falei anteriormente, desde pequena já sonhava com medicina e na faculdade também tinha a certeza de que era aquilo que gostaria de fazer, me sentia muito feliz, e me encontrava muito no curso!


4. Houve influência de algum familiar ou profissional que ajudou nessa decisão?


-Não, não houve. Meus pais sempre falavam que tínhamos que seguir o que gostaríamos de ser, tanto que minha irmã é engenheira civil, não havendo nenhuma influência para a escolha do curso. Sobre a especialidade, como tenho primos médicos, alguns comentaram comigo a respeito, mas eu segui meu coração e sou muito feliz assim.

Uma influência positiva profissional foi minha madrinha, que é minha prima e médica, e também é a neta mais velha da minha avó, sendo uma grande referência para mim e sempre tive muito orgulho dela. Com isso, depois que entrei na faculdade, passei a valorizar ainda mais a pessoa e profissional que ela é, e apesar disso, não houve nenhuma influência da parte dela para eu escolher a medicina, era verdadeiramente minha vontade.


5. Durante sua trajetória na faculdade de Medicina:


Qual era a ideia que você tinha, primeiramente, sobre a faculdade? Foi o que você esperava?

-Eu entrei bem nova na faculdade, com 17 anos, e foi o que eu esperava, eu gostava bastante e era bem curiosa. Os estágios e vivências era algo que eu também me interessava muito, desde o início nós tivemos muito contato com o posto de saúde e pacientes, realizávamos visitas domiciliares e era algo que me agradava muito, o contato com o paciente mesmo como aluna.


O que te incentivou a permanecer na faculdade durante todo o período e enfrentar os desafios que ela propõe?

-Durante a faculdade, o maior obstáculo foi morar longe dos meus pais, por que sempre fui muito apegada a eles. Porém, também criei amizades que são minhas amigas e irmãs até hoje, e que me incentivaram muito, além de algumas primas que moravam na cidade em que eu fazia faculdade que me deram total apoio, e foi muito bom.

Além disso, o que me manteve foi a vontade sincera de ser médica e o amor que ficava cada vez maior dentro dessa profissão que gosto tanto, como também o apoio de familiares e amigos foi essencial, pois nem tudo são flores. Precisamos ter apoio das pessoas que nós amamos e que nos amam para que tudo flua mais leve.


Tinha uma matéria preferida nesse período? E qual não gostava?

-Minha matéria preferida era pediatria, melhor modulo pra mim! E não teve matéria que eu não gostasse, mas que talvez tivesse menos aptidão, como cirurgia.



6. Como foi sua experiência no primeiro dia de estágio? Qual foi a sensação?


-Meu primeiro estágio já faz um tempo! (risos). Mas foi muito legal, uma experiência nova. Logo nas primeiras semanas nós já ficávamos no hospital e fazíamos anamnese com os pacientes e tivemos que contar muito com a colaboração deles, pois teriam que repetir várias vezes as mesmas histórias para diversos estudantes, porém sempre se mostraram prestativos. Também tivemos que saber como abordar os pacientes, e foi um crescimento muito importante!

Desde o primeiro momento em que estava no estágio e no hospital, fui muito feliz lá! Tenho diversas lembranças boas, que trago para a vida, e que tenho muita saudade. Aproveitei muito cada momento que vivi na faculdade, era um aprendizado diário, e contei com pessoas que eram apoio verdadeiro para mim.


7. Qual especialização você pensava no início da faculdade? Ela se realizou ou a escolha foi outra?


-Quando eu entrei na faculdade, pensei em fazer pediatria ou dermatologia. Eu fiz pediatria e me sinto muito realizada, não me arrependo, pelo contrário! Sou muito feliz sendo pediatra. Foi uma escolha que eu falo com frequência, não somos nós que escolhemos a pediatria, e sim a pediatria que nos escolhe. A pediatria sempre foi uma vontade, e antes pensava que era pelo fato que eu gostava de criança, e não! É porque eu amo muito crianças, amo essa ingenuidade que eles trazem, é fantástico.


8. Em um cenário em que o número de estudantes de medicina cresce abruptamente seja pela abertura de novas faculdades públicas ou particulares, qual a importância de ingressar em uma residência? Qual o melhor momento para se especializar?


-Hoje o cenário e a realidade são diferentes de quando me formei ou mesmo de quando entrei na faculdade, quando só tinha UEM. Por isso, acho de extrema importância, na verdade sempre achei, fazer uma especialização, e fazer isso logo após a formação é muito melhor, pois já estamos no embalo de estudos, com toda a matéria bem fresca na memória. Então fazer o quanto antes é melhor.



9. Houve algum momento que mais te marcou durante esse caminho com a medicina?


-Houveram vários momentos, durante a faculdade, a realização do sonho de me formar, de terminar a residência, de ser a primeira residente da Santa Casa, de trabalhar em uma UTI neonatal, de ver bebezinhos prematuros guerreiros saindo de alta. Isso é uma vivência em que cada alta da UTI me emociona muito e é um ambiente em que sou apaixonada. Sou realmente muito realizada em tudo que faço e todos os marcos foram muito importantes para estar aqui hoje.

10. Hoje, já exercendo a profissão, qual o sentido a Medicina tem em sua vida? Quais transformações ela trouxe para você, pessoalmente falando?


-Pessoalmente falando, acredito que sou uma pessoa mais empática e mais humana. Embora as pessoas pensem que o médico tem coração frio, eu acho que nossa profissão faz com que pensemos ainda mais no bem-estar do outro. No meio dessa pandemia, que foi um momento muito marcante na minha vida profissional e pessoal, eu consegui ver o quanto os profissionais da saúde pensam no outro. É claro que tem exceções, mas eu me via pensando muito no outro e na minha privação para que eu pudesse poupar o outro. Então acho que diante de toda essa formação, é uma coisa que eu aprimorei.



11. Se tivesse que recomeçar sua trajetória na medicina hoje, faria algo diferente?


-Não faria nada diferente. Eu sou muito feliz e muito realizada, então cada dia e cada minuto foi muito importante para que eu chegasse aqui hoje, e eu faria tudo de novo.


Ao final dessa entrevista, percebemos o quanto cada momento vivenciado com seriedade na faculdade pode trazer um crescimento grandioso para exercer a medicina de maneira íntegra, e o quanto o amor e o carinho pelo o que se faz resulta, consequentemente, em profissionais realizados com seu trabalho!


Autores: Felipe Gasparoto e Heloísa Fantucci.


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