Fatores de risco para suicídios em pessoas com doenças crônicas

As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são responsáveis pelas maiores taxas de mortalidade global, caracterizadas por serem doenças de etiologia múltipla e que apresentam muitos fatores de riscos, com maior risco de desenvolvimento devido à transição demográfica, epidemiológica, nutricional e urbanização. As DCNT mais frequentes são as doenças cardiovasculares, neoplasias malignas, diabetes mellitus e doenças respiratórias crônicas, constituindo um importante problema de saúde pública.

Pacientes com doenças crônicas apresentam em 88% das vezes, comorbidades com transtornos psiquiátricos. Diante disso, faz-se necessário rastrear variações do comportamento e sintomas depressivos, principalmente em casos de não adesão completa ao tratamento.

Os fatores de risco como biológicos, psicológicos, sociais e culturais para o risco de suicídio está presente profundamente nas pessoas que convivem com doenças crônicas, tal como o estigma e a discriminação contribuem para o aparecimento ou desencadeamento de distúrbios psíquicos, favorecendo então um elevado risco a tentativa de suicídio (TS) e até mesmo ao suicídio. Classificados como os principais fatores de risco associados ao comportamento suicida temos as doenças mentais crônicas como esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar e condições de saúde consideradas limitantes, como dor crônica, tumores malignos e HIV/AIDS.

Em pacientes com esquizofrenia, por exemplo, o risco de morte por suicídio é aumentada 10 vezes, principalmente nos primeiros anos da doença, devido a frequentes internações; o risco principal está relacionado com os pacientes que têm capacidade de entender as complicações de ter uma doença psicótica crônica, pois percebem como a doença afeta suas relações pessoais e seu trabalho, e com isso eles acabam se isolando.

Entre os diferentes tipos de apoio social, o apoio familiar é geralmente um dos fatores mais importantes que afetam a forma como os pacientes se adaptam às doenças crônicas. A percepção de um ambiente familiar de apoio pode proteger os indivíduos dos potenciais efeitos psicopatológicos decorrentes do impacto físico de sua doença e aumentar a adesão ao tratamento. Além disso, a família é frequentemente a principal fonte de apoio em tempos de doença, seja através de apoio instrumental tangível, como a preparação de refeições e a administração de medicação, ou através de apoio emocional. Em pacientes com câncer e doença renal em fase terminal, níveis mais altos de apoio familiar estão associados com menores níveis de depressão enquanto a falta de apoio familiar tem sido associada ao aumento das taxas de suicídio em pacientes com doenças crônicas.


REFERÊNCIAS:

ROSADO, P. V. V. Fatores biopsicossociais para o risco de suicídio: relato de caso de pessoa que convive com HIV/Aids. 2018. 35f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Enfermagem) – Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2018. Orientadora: Magda Lúcia Félix de Oliveira.


Boletim de Vigilância Epidemiológica de Suicídio e Tentativa de Suicídio. Bol. Vig. Suicídio. Rio Grande do Sul, v. 1, n. 1, setembro de 2018.


Suicídio: informando para prevenir. Cartilha ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA (ABP) e Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre suicídio. Brasília, 2014.


Internação e Suicídio: Protocolo de Atenção aos Sinais. CADERNOS DE SOCIOEDUCAÇÃO Secretaria de Estado da Criança e da Juventude – SECJ. Curitiba, 1ª edição, 2010.


Manual técnico de promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças na saúde suplementar. Agência Nacional de Saúde Suplementar (Brasil). Rio de Janeiro, 3. ed. rev. e atual., 2009.

43 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo