Fevereiro Laranja e Leucemia - o que eles têm em comum?


Fevereiro é um mês marcado por duas campanhas de conscientização na área da saúde - como já vimos anteriormente, temos o fevereiro roxo abordando Alzheimer, Lúpus e Fibromialgia - e também temos o fevereiro laranja abordando a Leucemia.


As ações referentes à campanha do fevereiro laranja são instituídas pela Lei N° 17.207 de 12 de novembro de 2019 e visam a importância do diagnóstico precoce e tratamento da Leucemia, além da conscientização sobre a doação de medula óssea. Segundo dados estatísticos do Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2020, no Brasil, 5.920 novos casos de leucemia foram diagnosticados em homens e 4.890 casos em mulheres.


A Leucemia é uma patologia maligna que acomete os glóbulos brancos e que, geralmente, se caracteriza por origem desconhecida, apresentando acúmulo de células afetadas na medula óssea, que por sua vez, acabam substituindo células sanguíneas normais.


São mais de 12 os tipos de Leucemia, dos quais quatro são primárias, sendo elas:

Leucemia Mieloide Aguda (LMA): afeta células mieloides, apresentando desenvolvimento rápido, ocorrendo tanto em crianças quanto em adultos e tendo aumento de incidência com a idade.

Leucemia Mieloide Crônica (LMC): afeta células mieloides, desenvolvendo-se lentamente no início e acometendo adultos principalmente.

Leucemia Linfocítica Aguda (LLA): afeta células linfoides, agravando-se rapidamente, sendo o tipo mais comum de leucemia em crianças pequenas - também ocorrendo em adultos.

Leucemia Linfocítica Crônica (LLC): afeta células linfoides, desenvolvendo-se lentamente - a maioria dos pacientes diagnosticados com esse tipo de patologia apresentam mais de 55 anos de idade e raramente afeta crianças.


Como dito anteriormente, a campanha do fevereiro laranja visa a detecção precoce e o tratamento da Leucemia. Sendo assim, vamos entender um pouquinho mais sobre o diagnóstico e tratamento:


O diagnóstico: o paciente apresentando suspeita de um quadro de leucemia deve realizar hemogramas específicos e ser referenciado para o médico hematologista. Caso o exame dê positivo, o hemograma apresentará alterações importantes na quantidade de leucócitos (aumento no número dessas células), podendo ou não estar associado à diminuição do número de hemácias e plaquetas no sangue do paciente. De tal maneira, outros exames laboratoriais também deverão ser realizados para complemento, como exames bioquímicos e coagulograma.


A confirmação do diagnóstico é feito através do mielograma (exame da medula óssea) - nesse exame, é retirado uma pequena quantidade de sangue através de uma punção óssea e o mesmo é enviado para análise citológica, citogenética, molecular e imunofenotípica. Pode ainda acontecer a necessidade da realização de biópsia da medula óssea, nesse caso, um pequeno pedaço do osso da bacia é enviado para análise patológica.


O tratamento: o principal objetivo é destruir as células leucêmicas para que a medula óssea possa voltar a produzir células normais e saudáveis, podendo variar para leucemias agudas e crônicas.


No caso das leucemias agudas: o tratamento envolve quimioterapia, controle de complicações infecciosas e hemorrágicas e a prevenção ou combate da Doença no Sistema Nervoso Central - em alguns casos pode haver indicação para transplante medular.


O tratamento apresenta etapas: a primeira tem como objetivo obter a remissão completa - um estado de normalidade após a quimioterapia - essa finalidade é atingida em torno de um mês após o início do tratamento, quando os exames (hemograma e mielograma) apresentam normalidade celular. Segundo pesquisadores, podem restar no organismo muitas células leucêmicas, fazendo com que haja a continuação do tratamento para que não ocorra recaída. As próximas etapas do tratamento podem apresentar variações conforme o tipo de célula afetada - nas linfoides, pode durar por mais de dois anos, e nas mieloides, menos de um ano.


No caso das leucemias crônicas: na LMC não é realizado quimioterapia - o tratamento é feito através de medicação oral da classe de inibidores de tirosina quinase - que inibe de maneira específica a proteína anormal que causa a LMC. Esse tratamento é considerado “alvo específico” - uma vez que o medicamento inibe apenas a multiplicação das células cancerígenas e não as células normais do corpo do paciente. Em alguns casos pode haver resistência ou falha no tratamento, sendo necessário quimioterapia e transplante medular. Já no caso da LLC, agentes quimioterápicos, imunológicos e agentes orais podem ser utilizados no tratamento - a especificidade dependerá do quadro clínico do paciente e da doença.


Agora que compreendemos um pouco sobre como funciona o diagnóstico e tratamento da Leucemia, podemos finalizar.


Segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, 75% dos casos de LLA apresentam cura quando diagnosticados precocemente - uma vez que esse tipo de Leucemia é considerado o mais comum em crianças e adolescentes, sendo responsável por cerca de 30 a 40% dos atendimentos oncológicos. Demonstrando, assim, a importância de um diagnóstico precoce e consequentemente o início da terapia para combate aos tipos de Leucemia.

Fontes:

https://www.inca.gov.br

https://www.saude.ce.gov.br


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