Janeiro branco e saúde mental em tempos de pandemia


Saúde mental, segundo a OMS, é o estado de bem-estar no qual uma pessoa consegue desempenhar todas as suas capacidades, lidar com os fatores estressores da vida, trabalhar de forma produtiva e contribuir para a sua comunidade. E, com foco nesse conceito, damos início ao primeiro mês do ano e também à campanha dedicada à saúde mental, trazendo à tona o termo Janeiro Branco.

Mas por que no mês de janeiro? E por que a cor branca?

A campanha acontece neste mês justamente por ser o mês em que as pessoas estão mais reflexivas sobre a vida, criando metas, pensando em coisas que devem mudar e dessa forma, espera-se que a saúde mental seja um ponto a ser lembrado e considerado importante no ano que está iniciando. O branco vem da ideia de uma folha em branco, na qual será escrita uma nova história sobre saúde mental, sem preconceitos, superando tabus e buscando tratamentos. Além do objetivo da conscientização, a campanha tem a intenção de evidenciar a temática e a necessidade da prevenção da saúde mental.

Em uma análise da realidade brasileira em relação à saúde mental encontramos um quadro preocupante, uma vez que aproximadamente 12 milhões de brasileiros (5,6% da população) sofrem de depressão e 20 milhões (cerca de 9,3% da população) apresentam quadros de ansiedade, os quais incluem transtorno obsessivo-compulsivo, diferentes tipos de fobia, estresse pós-traumático e ataques de pânico. E, ao analisar o ranking, o Brasil é o país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo.

No contexto atual, no qual a rotina das pessoas foi alterada e o sentimento de medo e angústia tomou conta, é importante ressaltar mais ainda a intenção da campanha, uma vez que a pandemia traz grandes impactos à saúde mental e a OMS já alertou para uma crise global de saúde mental nesse período, afetando principalmente crianças e jovens, o que exigirá muito planejamento e luta para ser vencida.

Outro fator relevante é a quantidade de profissionais da saúde que têm apresentado uma sobrecarga mental, chegando a 38%, com sintomas relacionados aos diferentes transtornos psiquiátricos. Além disso, uma pesquisa recente, realizada pela PEBMED, mostra que a prevalência da Síndrome de Burnout - caracterizada pelo completo esgotamento do profissional - é de 83% nos médicos que estão na linha de frente, uma porcentagem 12% maior quando comparada aos que não estão atuando no combate a covid-19.

Dessa forma, o momento é ainda mais pertinente para falar de saúde mental, entender que transtornos mentais vão muito além de se sentir triste, de buscar conhecimento sobre o assunto e de auxiliar na evolução de um processo que dá um passo de cada vez, passando pela reforma psiquiátrica na década de 70, pela criação do janeiro branco em 2014 e por muitos outros marcos. Devemos valorizar a temática, discutir abertamente e buscar caminhos para uma maior visibilidade, almejando sempre a conscientização para a procura de ajuda quando os sentimentos e sintomas começam a afetar negativamente o bem-estar.


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