Mas, em 2020, ainda precisamos falar de consciência negra?

Atualizado: 7 de dez. de 2020

Precisamos! Precisamos falar de consciência negra em memória a Marielle Franco, morta dentro de seu próprio carro. Precisamos celebrar dia 20 de novembro em memória a Evaldo Santos Rosa, homem negro, fuzilado pelo exército com 80 tiros na frente dos filhos. Precisamos relembrar que vidas negras importam em memória a João Pedro Mattos de 14 anos, morto dentro de casa, pelas costas. E, justamente hoje, 20 de novembro, dia da consciência negra, a notícia do espancamento de João Silveira Freitas até a morte em um supermercado da rede Carrefour em Porto Alegre, nos lembra que, na verdade, nós DEVEMOS falar de consciência negra.


Para compreendermos um pouco mais sobre a temática, a institucionalização do Dia Nacional da Consciência Negra teve o estopim em 1971, devido a alguns movimentos brasileiros que saíram às ruas para lutar e denunciar o racismo, como também reivindicar melhores condições de vida a população negra. Com isso, foi escolhido para representar tal momento histórico a morte de Zumbi, o último líder do Quilombo dos Palmares em 1695, morto devido a uma luta em prol dos direitos da população negra de sua época. Desde então, a data é celebrada anualmente a fim de debater assuntos como a escravidão no Brasil e o racismo estrutural da sociedade, que por vezes está escancarado e em outras encontra-se mascarado em atitudes de um Brasil que muitas vezes nega a existência do racismo e que também não se propõe a explorar um assunto tão presente em nosso meio.

Ao refletirmos sobre o racismo estrutural, que seria um conjunto de práticas, hábitos, situações e falas que estão incorporadas na cultura e discriminam uma raça, privilegiando outras, devemos nos lembrar de expressões racistas, voltadas à pretos, as quais deixam explícito a opressão e o preconceito enraizado na sociedade. Dessa forma, as seguintes expressões - e muitas outras - devem ser erradicadas:

“A coisa tá preta” ou “humor negro”, que correlacionam o “preto” a algo desconfortável, perigoso ou maldoso. Substituir por “não está agradável” e “humor ácido”;

“Denegrir” associando o “tornar-se negro” com algo ofensivo; Use “difamar”;

“Cabelo ruim”, usada para referir de maneira pejorativa o cabelo afro, juntamente com os termos “cabelo duro” e “rebeldes”, que depreciam fios crespos;

“Meia tigela”, utilizada para referir a algo sem valor, surgiu há um tempo, relacionando o sofrimento dos negros que trabalhavam em minas de ouro e não conseguiam alcançar suas metas, ao qual a punição era receber metade da tigela de comida. Uma opção válida é dizer apenas: “sem valor”;

E “Criado-mudo” refere-se aos escravos que faziam serviços domésticos e que era chamados de criados. Alguns deles permaneciam imóveis e em silêncio ao lado da cama, por dias, segurando objetos para seus senhores. Sugere-se utilizar “mesa de cabeceira”.

Diante de tudo isso, compreendendo a importância dos povos negros e de sua cultura, nós do Centro Acadêmico, junto com seus colaboradores, repudiamos todo e qualquer ato de preconceito racial implícito ou explícito na sociedade, e lutaremos para a implantação de uma sociedade cada vez mais igualitária para todos os povos.


Autoria: Heloísa Fantucci; Sandrielle Souza.

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