VACINAÇÃO E COVID-19: calmaria em meio a tempestade?

Diante de tantas informações com que estamos sendo bombardeados diariamente sobre a Covid-19, podemos dizer que, a que mais tem ganhado relevância e cativado a atenção da sociedade no final do ano de 2020 (que ficará marcado por gerações) é, sem dúvidas, um assunto que nos parecia um devaneio assim que houve a determinação de estado pandêmico mundial: a tão esperada vacina contra o Coronavírus!

Com isso, caro leitor, te convido a refletir sobre pontos essenciais, e que tem vindo à tona em conversas rotineiras dos cidadãos: afinal, como é de fato desenvolvida uma vacina? A vacina contra a Covid-19 apresenta eficácia? Quais estão sendo desenvolvidas ao longo dos países?


Ok, vamos lá!


Se faz necessário entender, a priori, sobre o desenvolvimento vacinal. O desenvolvimento de uma nova vacina segue altos padrões de exigência em relação à qualidade e procedimentos éticos em cada uma de suas fases, incluindo, dentro de tal processo: pesquisa inicial e testes em animais e em seres humanos, finalizando com avaliação final dos resultados pelas agências reguladoras, no caso do Brasil, pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

As fases de desenvolvimento de uma vacina são a fase laboratorial, ocorrente nos próprios laboratórios, onde são analisadas dezenas/centenas de moléculas para que seja definida a melhor combinação de composição vacinal; fase pré-clínica, na qual são executados testes em animais para comprovação dos dados obtidos em experimentos in vitro e, finalmente, a fase clínica, que seria a testagem do produto em seres humanos. Podemos dividir essa fase em 3:


Fase 1: Tem por objetivo central testar a segurança do produto, utilizando-se de poucos voluntários, geralmente de 20 a 100 pessoas, sendo geralmente adultos saudáveis;

Fase 2: Analisa com mais precisão a segurança do produto e também sua eficácia, onde os testes ocorrem em um grupo maior, podendo chegar a centenas de pessoas;

Fase 3: Na última etapa, o objetivo principal é testar a segurança e eficácia do produto no público-alvo a que se destina, com milhares de indivíduos participando.


Depois de as fases clínicas estarem concluídas, as firmas produtoras (como a BioNTech, Pfizer ou Sinovac) estão aptas a requererem formalmente a aprovação da substância. É importante ressaltar que mesmo após sua aprovação, a nova vacina continua sendo monitorada, em busca de eventuais reações adversas, além de ser necessário produzir em grande escala e organizar sua distribuição.

Tentativas e erros são comuns nas etapas de pesquisa em laboratório e nos testes em modelos celulares e animais até chegar às 3 fases citadas acima. O tempo médio de desenvolvimento de um novo produto é de, em média, 10 anos. O risco de décadas de pesquisa não resultarem em imunizantes eficazes, como ocorre até hoje com o HIV, ou apresentarem problemas de segurança em longo prazo, mesmo que raríssimos, ainda são presentes.


Compreendido como funciona o processo de desenvolvimento vacinal, vamos ao cerne da questão: como está o andamento das vacinas contra a Covid-19?

A corrida pela vacina contra a Covid-19 engloba 30 projetos em pesquisa com humanos e 139 em avaliação pré-clínica, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde). A determinação da ciência em desenvolver vacinas contra a Covid sem, logicamente, perder sua eficácia e segurança, colocou nove candidatas já na última fase de testes em humanos (fase 3).A estimativa mais alta de duração da fase clínica contra a Sars-CoV-2 é de, em média, 13 meses.

Os tipos de vacina que estão sendo desenvolvidas atualmente seguem dez estratégias diferentes, na qual chegaram à fase 3, as compostas por: subunidades proteicas (maior aposta das candidatas à vacina); vetores virais não replicantes; vírus inativado; vacinas de RNA e partículas semelhantes a vírus. As vacinas que, atualmente, estão em teste no Brasil, juntamente com a tecnologia empregada, são as seguintes:

  • CHADOX1 NVOV19: desenvolvida pela AstraZeneca e Universidade de Oxford (Reino Unido). 2 doses são necessárias. Após apresentar resultados preliminares do estudo clínico, a farmacêutica anunciou novos testes da fase 3, sendo a próxima fase, a aprovação da Anvisa. Composição: adenovírus vetor;

  • CoronaVac: desenvolvida pelo Sinovac (China) e Instituto Butantan (Brasil), com 2 doses necessárias em um intervalo de 14 dias. Está sendo realizada a avaliação dos resultados preliminares de estudo clínico, na qual a próxima fase é a apresentação dos resultados preliminares. Composição: vírus inativado;

  • BNT162: produzida pelo laboratório Pfizer-Wyeth (EUA) e BioNTech. 2 doses necessárias. Obteve registro da NICE, agência no Reino Unido, sendo a próxima fase, a aprovação da Anvisa. Composição: RNA;

  • AD26.COV2.S, produzida pelo Janssen-Cllag (Bélgica), com 1 ou 2 doses necessárias, ainda em avaliação. Atualmente, apresenta estudos clínicos de eficácia e sua próxima fase é a avaliação dos resultados preliminares em estudo clínico. Composição: Adenovírus vetor.

Para compreendermos mais a fundo sobre a vacinação contra a Covid-19 e o Brasil, algumas notícias podem esclarecer a temática, citando primeiramente a vacina de Oxford que é testada no Brasil pela Unifesp, e os estudos de fase 3 devem reunir 10 mil voluntários. A vacina permanece sendo uma das principais apostas, e pretende-se investir cerca de R $1,9 bilhão para ter 100 milhões de doses do imunizante já prontas no primeiro semestre de 2021. Além disso, Informações recentes nos trazem que, no estado de São Paulo, foi anunciada a campanha estadual de vacinação, com início previsto para o dia 25 de janeiro. O impasse é que a vacina de escolha, CoronaVac, ainda está em sua terceira fase de teste, sendo necessário a liberação da Anvisa para ser utilizada. Segundo o diretor do Instituto Butantan, um dos objetivos do programa estadual é acelerar o uso da vacina e pressionar o governo federal a estabelecer um plano nacional de imunização. Já, nesta quarta-feira, dia 16, o governo federal lançou uma nova versão do plano nacional de imunização contra a Covid-19, prevendo negociar 350 milhões de doses da CoronaVac para 2021.

No dia 10 de dezembro, a Anvisa aprovou uma resolução que abre possibilidade aos laboratórios de solicitarem autorização para uso emergencial (vá ao final da página para compreender melhor esse termo!), em caráter experimental, de vacinas contra a Covid-19, sendo que até o momento, nenhum laboratório solicitou tal uso.

Saindo um pouco do território brasileiro, alguns detalhes de relevância são que a vacina desenvolvida pela Pfizer, responsável por iniciar a vacinação no Reino Unido e nos Estados Unidos, alcançou mais de 90% de proteção contra a Covid-19, enquanto a vacina de Oxford apresentou uma eficácia média de 70,4%. E, para efeitos de comparação, de acordo com o Instituto Robert Koch, a eficácia da vacina contra a gripe na temporada de 2028/2019 foi de apenas 21%. Uma diferença significativa, não?

É aconselhável que você possa acessar o link abaixo do site da Anvisa sempre que possível, para acompanhar a atualização das condições em que as vacinas de teste no Brasil se encontram. As informações sobre a Covid estão em constante transformação, e se manter bem informado é essencial!


https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/andamento-da-analise-das-vacinas-na-anvisa



Termos importantes:


Pedido de uso emergencial - feito antes do registro final para aplicar a vacina em um grupo específico da população. Precisa ser enviado à Anvisa pela empresa fabricante ou importadora da vacina, presente no território brasileiro. Pode ser realizado com a fase 3 em andamento.

Registro - profissionais especializados da Agência vão revisar todos os documentos técnicos e regulatórios e verificar os dados de segurança e eficácia, bem como avaliar a qualidade da vacina. O registro concedido pela Anvisa é o sinal verde para que a vacina seja comercializada e disponibilizada no país. Precisa ser solicitado à Anvisa pela empresa fabricante da vacina.



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