Seriam os cigarros eletrônicos uma alternativa viável ao tabagismo?

Difundidos entre adolescentes e adultos jovens, especialmente universitários, os cigarros eletrônicos são os novos ‘queridinhos’ do momento. Surgiram como estratégia frente às campanhas maciças de combate ao tabagismo, e por serem atrativos e descolados, passam a ideia de que são inofensivos. Os motivos da utilização pelos usuários são muitos: desde a cessação do tabagismo até a necessidade de pessoas tímidas para socializar.

Existem vários tipos de cigarros eletrônicos, mas atualmente o mais difundido entre os jovens é o POD system (sistema de cartuchos, em inglês). O POD, como é popularmente conhecido, é um dispositivo semelhante a um pen drive (que pode ter designs descolados e das mais diversas cores), cuja bateria aquece uma solução líquida (chamada de juice) que pode ou não conter nicotina em diferentes concentrações. O dispositivo deve ser carregado via cabo USB e existem modelos que ligam automaticamente (a partir de uma tragada), ou se acionados por um botão. Existe a opção de compra do juice, com diferentes essências e sabores (morango, uva, melão) e também há a possibilidade de se comprar um POD descartável.

Por conta dessas características, é comum de se ver o uso de POD até mesmo em ambientes fechados, passando a impressão de que não apresentam substâncias nocivas como as encontradas em cigarros. Li e colaboradores (2020) constataram, por meio de evidências na literatura que tratam do efeito da qualidade do ar em ambientes internos, que são liberadas partículas finas e ultrafinas semelhantes ao tabaco, bem como substâncias tóxicas como aldeídos e metais pesados.

Assim, o surgimento de doenças respiratórias relacionadas ao uso de POD podem vir à tona. O próprio Centro de Controle de Doenças dos EUA criou um termo para designar a doença pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico ou vaping: EVALI, sigla que vem do inglês: E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury. Como Jones e Raj (2020) colocam, trata-se de uma doença que parece inativar o sistema imune, causando pneumonias de repetição, fibrose pulmonar e insuficiência respiratória. A efeito de comparação, são as mesmas consequências da COVID-19 no sistema respiratório.

Algumas estratégias em saúde pública giram em torno da conscientização sobre o uso de narguillé entre os jovens, afinal a matéria-prima a ser utilizada é o próprio tabaco, mas ações voltadas para o uso indevido dos cigarros eletrônicos se fazem de suma importância, justamente pelo fácil acesso e pela aparência inofensiva.


Revisão: Sâmia Seleme


Referências


Jonas AM, Raj R. Vaping-Related Acute Parenchymal Lung Injury: A Systematic Review. Chest. 2020 Oct;158(4):1555-1565. doi: 10.1016/j.chest.2020.03.085. Epub 2020 May 19. PMID: 32442559.


Li L, Lin Y, Xia T, Zhu Y. Effects of Electronic Cigarettes on Indoor Air Quality and Health. Annu Rev Public Health. 2020 Apr 2;41:363-380. doi: 10.1146/annurev-publhealth-040119-094043. Epub 2020 Jan 7. PMID: 31910714; PMCID: PMC7346849.





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